segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

dice.

e lá vem mais um Natal. é, todo ano tem, fazer o quê?
mas esse ano não tem papai Noel, pelo menos não aqui... ok, nunca curti muito esse velho.

meus Natais poderiam se resumir a: show do Roberto Carlos; jogatina; família brigando (isso faz falta e dá graça ao dia) entre si e com todos; família falando mal dos outros; família falando mal de nós; e o rei cantando qualquer coisa que possam fazer piada enquanto jogam; e as pessoas roubando no jogo, fazendo besteiras no jogo, jogando (família com certa tendência à jogatina e ao vício, e ...). ah, e os cafés! nunca esqueceria deles... fracos e doces como a vingança. e alguém - provavelmente minha mãe - gritando: - "tira essa garrafa da mão dessa menina!!", eu, no caso. e as ceias que começam a semana toda. afinal, em dezembro, o Natal é todos os dias.

eu gosto de Natais, eles que talvez não gostem de mim. mentira! mentira minha...


Mas isso é segredo. Não posso perder a imagem de "fria e calculista". É, faz parte do meu show, meus amores, faz sim. Isso e tantas coisas inexprimíveis e inexplicáveis - percebi que adoro um prefixo "i", "in", "a". Gosto de uma negação. - tudo faz parte do meu circo - que não admite a Xuxa - e do meu cerco, cada vez mais fechado.


Amo pouco,
falo pouco...

sinto muito.


E que venham os infernos unilaterais e tudo que acompanhe, tenho cigarros em mãos e cafés para enfrentá-los. E algumas pessoas com as quais posso desabar - é, a gravidade é cruel -, poucas e não abriria mão delas. Acho que tudo sempre remete ao que se aposta, ao que se está disposto a perder por alguém. A se perder por alguém...
Ninguém paga minhas apostas, mas isso tem certo charme. "Se eu perder, eu perco sozinha; se eu ganhar, só eu que ganho" - grande filósofa Ana Carolina.


Só que um dia a gente pode gastar todas as fichas de apostas, mas isso é outra questão...


"Nothing can compare to when you roll the dice and swear your love's for me."

Feliz Natal para nós! Hô hô hô

sábado, 6 de dezembro de 2008

Falta?

Tudo bem, o título é uma pergunta. Eu sou uma pergunta.
É, sinto falta de algo. Alguma coisinha pequena - não sei o quê -, ou grande. Ou sinto falta só porque não tenho e não terei mais (saudosismo e pessimismo pra mim, porque adoro combinações bombásticas).

Tá, passaram 19 anos e passou um ano todo. Passou. Eu passei. Passamos. Ano interessante, por sinal, minha vida é cinematográfica e eu interpreto no cinema mudo. Porque acabo pensando, pensando e falando porra nenhuma. - Não é por maldade, ou é?!, eu só não sei o que dizer na maioria dos casos, nem pra mim, nem pra você, nem pra eles, nem pra nós, nem pra pessoa alguma.
E acaba assim. A gente fica triste - mas foda-se isso! -, e acaba deixando as coisas no ar (porque eu não sei me abrir e odeio "soltar" meus trocentos problemas pra alguém), por maldade, carência ou falta de força. (Eu não sei. Mas e daí, nunca sei de nada mesmo. Na-da!) E a gente discute. E me resta pedir: "Por favor, vamos discutir quando eu estiver triste. Cachorros mortos não sentem mais dor."
Mas eu passo. Sempre passei. Faço aquele tipo bem autista mesmo: "Estou vivendo na brisa e passo..."
Passo sozinha, claro - só falta comentar isso com minha tia, antes que eu tome vitamina de rivotril com leite e coma ormigren ao molho branco -, mas também não é maldade não (ou é. Sou uma pessoa muito ruim)... É só cansaço. É, é isso.

Cansei de discutir, cansei de apontar as coisas, cansei de fazer qualquer tipo de drama. Cansei de sinos e sinais de fogo e de, mesmo não estando nos melhores tempos, tentar passar algo de bom - qualquer coisa -, ou simplesmente deixar uma pessoa feliz; e de tentar previnir, pra não precisar remediar, falar subjetivamente, ou fixar nas coisas boas.

Whatever, meu povo! Eu não fico mais triste; não tenho mais motivo pra me sentir magoada; não sou sentimental pra pensar em "decepção". Eu só passo...


Um dia, a gente abre mão das pessoas em pequenas coisas, se perde por muito pouco. E isso dói. Dói porque penso em uma interrogação, como no título; dói porque a gente se entrega por pouco e dane-se (literalmente).
Doía. Ou melhor, doeu. (Porque eu prefiro o pretérito perfeito, mesmo que o meu "pretérito" seja completamente errado.)


Como estava no último post: "A gente vai ficando e sem perceber." O problema é quando não percebem também, não percebem muita coisa. E não sou eu que vou desenhar. Enquanto a gente acha - acha sim e só - que faz falta, a gente permanece. Mas tem tanta coisa além... E a pergunta se transformou em exclamação, "falta!". A falta que eu não faço. E ainda escolhi e opinei pelos outros, errei.


E tenho a minha vida pra arrumar, e tem coisa que ainda falta nela. Falta eu entrar na minha vida e fazer parte dela, sem esperar por qualquer coisa dada amistosamente. Abro mão, abri.


"Ela tinha mundos dentro dela, mas não pertencia a nenhum." E ela não morreu no final, isso não mata.


Sorte a quem precisar e a mim, que (des)acredito em tudo e preciso de algo pra me sustentar.

"Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora." Impressionante como a Maria Bethânia me convencia quando dizia isso. Só ela mesmo...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Quinta-feira,

Mea culpa.
- Sem desculpas.

Hoje o dia não vai tão agradável, ou vai ver é a minha cabeça que dói até cansar.
(Pausa para o café-cigarro. Sim, porque são inseparáveis e insubstituíveis.)
- Pronto!

E a Cyndi Lauper usa todo o seu potencial vocal para gritar em minhas caixinhas de som "Girls Just Wanna Have Fun". E eu discordo! Pro inferno, Cyndi Lauper! E sete vezes que é pra me dar sorte (eu preciso de sorte, embora não acredite nessa palavra). Eu não quero me divertir, só quero paz - tipo um "descanse em paz"; no meu caso, viver em paz - porque os dias têm sido enlouquecedores. En-lou-que-ce-do-res! (Será que ainda sei separar sílabas?)
É aquilo: A gente se abre e nada e ninguém fecha - pessoa nenhuma pode fazer isso -, nem nós.
(Agora o Fred Mercury urra "Save Me" na minha cabeça. É, Fred, eu concordo contigo; mas ninguém te salvou também, caro, e nem me salvarão...)

Primeiro vem um siso e se pensa: Ok, pode rasgar a minha boca, pior que estou, não fico. De buracos que são feitas as peneiras. E eu... Eu também. E, de repente, não mais que de repente, o primeiro convida o segundo que traz umas aftas pra formarem casais.
Chega a dor de cabeça e o diabo deve estar rindo da minha cara. Eu rio também, sou pessoa educada.

(Esse "post" não fará nenhum sentido. Não se pode esperar sentido de uma pessoa que não o tem. Mas escrevo porque me pediram - tão educadamente =] - e eu não nego coisa alguma a pouquíssimas pessoas.)


Ainda é tempo de morangos! Porque o tempo é agora. E entre o segundo passado e o seguinte, entra o presente; o presente é só o que temos. Presente de presente! (Pra não esquecer que não sou uma pessoa divertida; pra me certificar que não vivo de sonhos.)

Ratificando: Minha culpa, porque não meço os detalhes e nem o que minha atitudes causarão em mim ou em outra pessoa. Sem desculpas, porque nada justificaria, como não justifica.

Mas ainda resta a vida, pela janela, aí, aqui, por todos os lados. Tudo é vida e existe algo que nos prenda e nos faça lutar - pelo que quer que seja: morrer, viver, amar, "just for fun", crescer... - e a gente luta. Eu luto por não saber perder (sou má perdedora até os dentes), tu lutas, ele luta. E vamos rumo ao que for. (Acaso, destino, inevitável. Embora a minha vida não seja um jogo de dados; embora eu queira que fosse...)

E eu abro mão de pequenas coisas por detalhes. Abro mão de coisas grandes por outras que passariam despercebidas. Abro mão de mim... E dessa vez nem é por masoquismo, tenho causa nobre e responderei em tribunal se for solicitada.

A gente vai ficando de ficar e quando vê, já não sabe, não quer ou acha que nenhum motivo vale tanto quanto estar. E não volta... Não hoje.


"Não se afobe, não,
que nada é pra já.
Amores serão sempre amáveis.
Futuros amantes, quiçá,
se amarão sem saber
com o amor que eu, um dia,
deixei pra você."

Chico Buarque - Futuros amantes. Porque isso traduz o que eu não consigo dizer.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

who?

A gente se conhece por ir vivendo à toa. Diria um livro que tenho pra lá de especial - porque preciso ler antes que enlouqueça.
E se eu passar a minha vida - que uma moça veio me afirmar que será curta - vivendo à toa, talvez eu me perca mais. Se perder é bom, não? Eu digo que se me achar, estarei perdida, tão acostumada estou ao caos.

O mundo vai acabar, eu vou acabar, o texto vai acabar e nada vai fazer sentido. Tudo é objetivo, tudo é singular e não existem sinônimos - me perdoem os amantes dos trocadilhos, eu -, só existe o que deixará de existir em um certo e delimitado espaço de tempo.

A realidade anda tão louca e assustadora que eu tenho medo de enlouquecer os pobres que me acompanham, tal desequilíbrio anda correndo (e corroendo por aqui) como areia marcadora de tempo. Ainda bem que o tempo acaba um dia. Ufa!

Não ando ouvindo músicas, não ando fazendo coisa que preste. Enlouquecer tem me roubado muito tempo. E escrevo. Porque ainda acredito em alguma coisa.


"I am super girl and I'm here to save the world. And I don't wanna know who's gonna save me."


Eu não preciso ser salva. Eu não quero ser cuidada e pretendo passar o resto da minha eternidade vivendo à toa por aí. Simples assim.
Eu preciso de mim e eu me basto - pode não ser verdade, mas me convenço a mim.


Até mais, pessoas leitoras! Boa semana pra nós.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Sem dó.

Sem musiquinhas por hoje.

;]


Pff! Exposição da Clarice que vale por vida. Avassaladora.

Um minuto que seja na vida de alguém, transforma tudo, muda tudo. E faz as coisas acontecerem com uma paz dilacerante.


A paz que tira a paz.

E alguém no fundo se pergunta se isso pode. Rapaz, comigo pode tudo! E impossível é só uma questão de oportunidade.

Essa minha vida louca é imensa, talvez breve e os meus crimes andam compensando...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

scenes

e começa devagar...
primeiro vai-se o tempo. conversas, e-mails, noites e dias.
depois vão embora as medidas (malditas!), as convicções, as regras, a distância segura.

...

até se perder a razão. e resta só a emoção pra cuidar e controlar as coisas - em vão.
em questão de tempo - segundos, dias, meses -, a estabilidade dos sentidos também vai. de 0 a 100km/s é só pra quem não tem o coração pesado e consegue segurar o tranco... * a sanidade é perdida nessa cena. *

então se perde a cabeça.
.
.
.

e o medo também fica pra trás.

e o que fica?
e o que fica...
. só a esperança de um bom final. e um resto de energia pra poder levantar se a gravidade permanecer, diferente de todo o resto.



o desfecho do drama fica com o acaso, ou destino - a quem acredita.
e quem pode ser culpado por acreditar? no final, que dê errado, se tiver que dar! até dar murros em ponta de faca dão certo prazer...


(Ouvindo: Cazuza e Bebel Gilberto - eu preciso dizer que amo)

será que realmente preciso?

sábado, 2 de agosto de 2008

(in)utilidade pública.

então, como existe um programa na emissora mais assistida do Brasil - que os anti-sistema chamariam de manipuladora. o que é um absurdo! afinal, a manipulação só existe porque há quem ser manipulado e tudo... - conhecido como "dicas de um sedutor", darei agora o outro lado das dicas.
dicas para aquelas pessoas que são encalhadas (por vontade própria ou não. ou não!) e não querem mais arrumar ninguém (ou não sabem como, perderam a prática... enfim!), dicas para nos conservarmos avulsas(os).

ok, indo para um evento que já não se quer ir. sim, é possível e detestável.
ponto dois: encontrando pessoas com as quais não quer conversar.
terceiro item - o crucial -: alguma alma perdida resolve passar o tempo te cantando.

visivelmente ruim, mas pode piorar (sempre pode!): além de cantar, resolve alugar nosso par de ouvidos.

e o que fazer?

- sair esculhambada(o) é o primeiro passo. se for um bar/restaurante elitizado, vá de chinelos, sem pentear os cabelos, sem maquilagem/perfume (o perfume é essencial, pelo menos pra mim).
. feito esse passo, já te olharão de canto.

mas e se o tiro sair pela culatra? isso aconteceu comigo, não há porque se desesperar. (a princípio parece o fim do mundo, mas não é, acreditem).

passo dois: se sair competindo com a mendiga catadora de lixo não surtiu efeito, ainda restam opções.
por exemplo: mantenha a boca ocupada. fume, fume, fume... fume! não há o que fazer? fume! o tempo demora a passar? acenda um cigarro. as pessoas falam alto demais? concentre-se no ato de tragar e soltar a fumaça. e não param de puxar assunto? coma cigarro com garfo e faca e ignore.

tudo bem, eu penso, ainda tem gente que gosta de fumantes (eu). e então?

o desespero é vivido no terceiro passo. beber! fume e beba. mas nada de fazer social, nunca! fazendo isso pensarão que você, pessoa anti-social, tem linha e educação (nesse ponto a vontade de mandar todos aos diabos é grande, mas controlemo-nos) e isso é a última coisa que queremos mostrar. então beba! beba como um carro velho, beba como se o mundo fosse acabar, como se pudesse dar dengue em álcool, aposte viradas de copos, beba no gargalo, agarre o copo (eu já desenvolvi a mania de sempre sair acompanhada do copo), monopolize a garrafa. mas não esqueça de fumar!

e vem a parte ruim: se você estiver sendo assediada(o) por uma esponja? aí, caros e caras, fu-deu! assim mesmo, bem simples. mas antes de decretarmos derrota, puxemos o último fôlego (se os pulmões baleados nos permitirem) e encaremos a fera.

quarto passo: não pense em arrancar os poucos cabelos que restarem, isso não será bem visto. no quarto e, se Deus for pai, último passo aprenderemos a manter conversas saudáveis. aquelas monossilábicas. "sim", "não", "hum"... opte por "não" e "hum". o "sim" já dá uma abertura muito grande... desnecessária. balançadas leves de cabeça também contam e elas não atrapalham os outros passos (beber e fumar alucinadamente). mas lembrando: nunca sorria!! em hipótese nenhuma, sob nenhum tipo de ameaça, nem aposta e nem nada. pense na morte de alguém (a Dercy, por exemplo, morreu há pouco tempo) e faça cara de velório. a cara de funeral, somada a leves balançadas de cabeça (leves mesmo) e cigarros e álcool, são uma saída inteligente.
temos a cara de brisa também, a cara de ghost, a cara de pau, a cara de cu, a cara sem face (e alma) e por aí vamos... dependendo da hora e da necessidade, a expressão facial se transforma - para pior sempre!

pois é, e se o problema ainda persistir? sim, a essa hora pensamos em suicídio, homicídio, chacina, simulação de seqüestro... e nada é assim acessível. o que fazer?

quinto passo: fale sobre ex. fale de seus ex, atuais, futuros, reais, imaginários, inexistentes, figurantes... chore, grite, fale mal, ria, gargalhe. fingir estar com a pomba-gira também é uma saída. imitar gralhas e taquaras é uma solução. então, ria e se culpe pelo término (real ou não) com a última vítima. diga que traiu, humilhou, chutou, foi culpada(o), destruiu, fez pó... e o compare ao estorvo em questão. fale de todos os defeitos, de como o tal sofreu e o quanto você não fale uma rosca velha amassada pelo diabo.

então já sabemos cinco passos para fugir de um encosto. maaaas! mas se o exu for de encruzilhada escura, só com despacho e reza braba meeeesmo! e se o ebó ainda colar feito chiclete, aí é o tudo ou nada: fugir! vá ao banheiro, simule um desmaio, dê em cima do garçom, diga que esqueceu de dar rivotril ao papagaio caolho da sua tia-avó, que depois de meia-noite vira abóbora.. invente! imaginação sempre vale nessas horas. e fuja! mas fuja com cuidado... nunca sabemos em qual esquina encontraremos mais desses seres pouco evoluídos.


fugir dos outros é arte! porque eu tenho prática!
hahaha
não deveria, mas tenho.

(Ouvindo: Daniela Mercury - Meu Plano. porque me lembra alguém...)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Diálogo:

"M: - Tenho que ir. - diz cortando o assunto.
H: - Mesmo? - indaga com certa tristeza na voz.
M: - Não, mas irei.
H: - Pelo menos eu a conheci.
M: - É...
H: - E o que se faz agora? Telefones?
M: - Acaso, por acaso, como hoje.
H: - Em outra livraria, outro café?
M: - Talvez em outra vida.
H: - Você acredita mesmo?
M: - Acredito em nós, sentimentos... - depois de grave, agora sem certeza alguma.
H: - Em tudo, você quis dizer.
M: - Em nada.
H: - Também preciso ir. Tenho que tentar sobreviver a uma vida para te achar na próxima.
M: - Temos uma vida inteira pela frente.
H: - Não sei se isso é bom, ou ruim...
M: - É o que tiver que ser.
H: - Sempre é!
M: - E que rolem os dados!

Despediram-se. Afinal, encontros de uma tarde não podem durar por toda a vida. E a areia marcava o tempo..."

livro, ensaio ou o que for. começo ou final. nada disso...

e eu tenho a predisposição para ficar com o cheiro das pessoas em mim e na roupa. e as outras coisas... outras.

café, cigarros e canetas me fazem perder a hora. - nunca fui pontual.
pessoas me fazem perder a cabeça e o rumo. - e eu já tive os dois...


e eu me pergunto se algo pode durar para toda a vida... e a pergunta só será respondida na próxima e vai ressonar na minha cabeça por certa marcação eterna.


e bom final de semana pra nós!
sub.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

"!!!"

e é?
não é!
será? ou seria...

porque a porta sempre fica aberta a chuvas, tempestades, vendavais...

como estava lendo no blog do Arth, no mundinho particular, ninguém entra, ninguém sai. mas no meu, a porta é sempre encostada - e existem janelas ainda -, para saírem quando quiserem; fugirem enquanto puderem; fingirem o quanto souberem; e desaparecerem...

é por isso que nada por aqui é real. tudo beira a loucura, a morte, a desgraça total. tudo aqui acaba, mas não tem fim - lei do bumerangue, minha gente! -, e nem começo. e eu sou capaz de dizer que não presto, ou dizer nada, ainda assim virá um "estou apaixonado por você", ou um "eu te amo", e eu não posso dizer o mesmo... e eu não sinto o mesmo. e eu faço o diabo para afastar - eu não sei terminar relacionamentos -, faço sofrer tanto quanto posso - e sei que vou sofrer mais do que o mundo nesse quesito "amor" -, mas não é o suficiente...

e eu cansei de momentos "good times" e de reviver passados. mas eu meto os pés pelas mãos.
bom, um dia isso acaba. um dia, todos cansam. enfim. até eu já quis muita coisa, quis pouca gente - e nunca fiz questão de demonstrar, como não faço -, talvez nem eu queria mais...
talvez...
talvez!


(
Ouvindo: Arctic Monkeys - Diamonds are forever)

só os diamantes são para sempre! nem eu sou...

"e só de te ver
eu penso em trocar a minha tevê
num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira"

- porque eu posso ouvir uma e escrever a letra de outra, não? eu posso tudo!


"
ou você respeita as regras, ou as transgride sem culpa" - gostei da frase!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

"reality escapes her"

acordei pensativa e saudosista.
sim, se eu - por desventura do acaso - arrumar crianças, poderia contar que já fui de tudo na vida.

posso dizer, por exemplo, que já fui esportista. era o que chamaria de criança olímpica: adorava uns jogos, e todos os esportes. hoje, sobraram só as mazelas: pulso aberto (chato de localizar e bem doloroso), rótula deslocada, nervos do pé "quebrados" e alguns ossos e articulações que doem com o frio - como o que faz hoje. algumas lembranças boas e cobranças nem tão boas assim. "o esporte não dá dinheiro, você sempre chega quebrada em casa! deve gostar, só pode..." - pois bem, eu curtia. era sádica desde nova.
é, ainda conservo um espírito torcedor, fanatismo talvez.

também já fui dada ao desenho. o que é tão mal visto quanto. afinal, não tinha matéria copiada no caderno, só uma imaginação fértil em três dimensões. "você pretende estudar como? vai fazer um desenho na prova!?!?". tenho alguns papéis rabiscados ainda, bem guardados. e meus amigos eram o lápis e a borracha. nos dávamos bem até; vezenquando conversamos, agora e cada vez menos. talvez eles se irritem por eu ter rompido nosso laço. e ainda tenho a mania de rabiscar garranchos no papel... desenhar o que não vejo é sempre mais interessante.
bom, preferência por desenho animado se explica aí.

e veio a música, essa durou bem pouco. não é interessante ouvir barulhos de instrumentos em horas impróprias. aquela coisa: te dou, mas não precisa usar. e depois de certo tempo obedeci, ou acostumei, não lembro...
e ficou o costume das notas imaginárias e das viagens nas melodias. Beethoven sempre me leva pra longe. alguns gostos exóticos por óperas subversivas e intensas, macabras e que ofendem. companheiras apesar de tudo.

e veio a pintura. pinceladas estranhas com um quê de medo e agressão. "é coisa da idade, passa." - pois bem, passou. mas ainda me interesso pela arte e por tudo que diz respeito... gosto das formas e das cores - apesar dos pesares... bom, nem tudo que fica é bom.

depois veio a paixão pela leitura. "é cada vez mais impressionante o modo como essa menina se exclui da vida. sem amigos e só vive jogada pelos cantos - às traças - com um livro na mão, ou pendurada em uma janela..." - ok, ler pelo menos é mais produtivo que as outras coisas. mas nunca dá dinheiro o suficiente (nem coisa alguma que eu fizesse), apesar de dar alguma cultura.
e passar mais de oito horas em uma livraria não é convincente (verdades nunca são). eu teria que ler livros didáticos.
e ficou a mania de ler andando pela rua, fumando, comendo, bebendo, em aulas... e certos sonhos meio bizarros.

aí vem um "quero ser professora!" - já fui subversiva e cheia de vontades. dar aulas por aqui, acolá e vamos nessa. é algo muito bacana, mas não é bom o suficiente (não se ganha dinheiro dando aulas. fato!). e essa foi mais uma crise excêntrica da menina-mimada-rebelde-sem-causa. "ao invés de estudar pra ser alguém, você perde tempo ensinando. não sei o que, já que você não estuda para aprender.". menos uma mania feia nessa lista. parei de dar aulas e agora querem que eu volte. estranho isso...
e fica a intromissão de explicar tudo que pedem, aquela coisa quase didática, quase teórica, quase humana. e sempre perguntam para mim... hoje em dia, as coisas correm, ninguém tem paciência para isso mais.

e a mania de escrever... essa necessidade ainda me persegue.


é, já fui muita coisa nessa vida. hoje não sou. acho que de tanto ser, a gente acaba sendo coisa alguma. é o "happy ending" da história, precisa ser feliz? creio que não.

de fato, hoje não sou. ou melhor, sou só o que não presta, não serve, não cabe. hábitos errados não terminam... acho que, se eu tivesse sido qualquer coisa acima, seria maravilhoso, comparado ao que sou agora. mas os sonhos dos outros pesam, as cobranças e a verdade deles sempre é maior que a minha "realidade".


. Ouvindo: Fuel - Shimmer (Acoustic).

"Isso está muito longe de mim para eu abraçar
Muito longe…
Acho que eu vou deixar ir embora"
- me lembra alguém.


p.s.: escrever em teclado virtual nem é mára.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

encontro

"Mancomunei planos para te ver
Santos, tantos, encantos, prantos
E todas as equações para esquecer
Saber, beber, correr, morrer?

Café! Encontro pós dia movimentado
Num bar, um lugar, um cigarro, cadeira de plástico
E eu me embaraço, escorraço, estou ao seu lado
De carro, te olham, me vêem sem graça.

Fugimos pra longe dos olhos famintos
De beijos, abraços, carinhos distintos
Buscamos um passo, um traço na praça
E chove... tão forte que o vento ameaça.

Ficamos imóveis, molhados, mãos dadas
Sorrimos sem medo, pudor ou levada
Eu peço: me beije, me abrace que o frio passa
Encabulo-te rápido, fico calada.


A tarde se esvai, nos rouba palavras
Fico arrasada, passada, deslocada e te levo pra casa
E vem despedida, hora corrida, cigarro em brasa
Volto
sozinha, na dor dilacerada, fria na noite, com sua rosa guardada."

(13/o6/o8)

pronto! agora só falta colocar a partitura.

boa semana para nós!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

É isso aí...

Semana fria, fria demais. resolvi jogar carteado com o destino. minucioso e cheio de cartas na manga.
ganhei a primeira, meu
ceticismo histórico e inexplicável ainda era maior que o medo.
depois de uma boa partida, ele me ganha a segunda.
mais uma vez e desempatamos.
eu sabia que ia perder, tinha certeza. como perdi o sono nessa madrugada, a fala, a fome, a densidade. perderia o raciocínio também - ou apenas o seguiria, ignorando o resto.

eu insisti, fiz miséria, medi tempo, altura, velocidade e ignorei a queda.
e ele alternava entre bárbaro, cínico, prepotente e assustado. era misterioso como convinha, sorria e mudava todas as minhas perguntas. e estava certo, sem perguntas.

eu perdi. de raiva, cansaço, incapacidade, o diabo! perdi a cabeça - não sei a tive.
ele sorriu de tristeza, não é bom ganhar quem escolhe não competir e não gritar. tudo perde o prazer.

e é isso mesmo, sem gritos, meia boca e alusões a ilusões, sem neologismo ou
subjetividade. agora vamos aos fatos, ao provável. sem inatingíveis e rodeios.

e essa mania de fazer planos, tomar atitudes, fazer força pra estar, de algum modo, na vida de alguém. essa minha mania de florear e procurar significados no que não tem, no que é explícito; essa mania de "se", "talvez", "todavia", quem saberia? sem porquanto, por enquanto, por encanto... sem. sem caras e sentimentos a dar a tapas, medindo etapas, ouvindo tapes. sem querer o que não é
cabível; sem mais cigarros engasgados; sentimentos embasbacados; sentidos aguçados.
e esse cheiro de café e cigarros, cinzas e pó e só. e tanta dor de cabeça, olheiras, olhos, garganta, rouquidão, rispidez. sem espaços para quem não os quer, não ocupa e nem os ocuparia - não culpo. sem culpa.

é, tenho quem me leve para casa. pessoas passam a vida desejando isso. eu tenho e trocaria - no pretérito bem terminado, imperfeito, mas fechado. trocaria sim, mas é o que tenho. é o que posso. e é por onde seguirei. ainda prefiro tudo de alma. coisas jogadas pela janela,
objetos voadores, crises siderais. é, cansei de ficar na estante e de estepe. como num circo, aonde pagam, olham e riem e vão embora - sempre. e eu ainda fazia exposições de graça...
já fiquei por tantas noites, tantos dias, tanta loucura e neblina... levante, lave o rosto e sorria. não se pode querer o impossível, não se pode indagar Deus, acaso ou destino.

e esse frio, que vem de todos os lados, que não há coberta que esquente. e só um corpo presente... outro ausente, de presente; sem presente e só passado. pois a vida é cíclica e os fatos não se negam, não se pode fugir.

ok, presente, vamos nos entender. com cigarros, álcool e café, porque preciso me esquentar.
se eu pudesse, dava com a cabeça na parede até esquecer tudo... ou só um pouco, só por um segundo.
(há
insônias provocadas, doutores não entenderiam. e eu sofro do mal de pensar)

sem compromissos, por hora não dá. comigo não dá... mas sempre existe a tangente, existe a palavra que inventarei pra responder os pedidos, os loucos, os românticos. mas eu fico com o destino - mesmo a contragosto -, é só o que existe.
depois de tanto tempo se dando e abrindo de graça, o brinquedo escangalhado quer um lar.
e vamos à ele, sem corridas em beira de praia - não preciso me
autoflagelar mais -, mas nos meus passos que o lar saberá que cheguei. como no diálogo:
- você é a filha rebelde,
Anna. vem, fica, vai e faz essa mãe aqui sentir falta.
- mas eu sempre volto...
- dessa vez fica?

mesmo que a resposta venha depois de três dias, dessa vez fico... por egoísmo, carência, altruísmo, medo, os
cambau. mas fico. e dessa vez completamente.


e mais um cigarro, mais uma vez. só para acentuar a dor na garganta...


(Ouvindo: Stephen Speaks - Out of My League. e eu estou desmontada mais uma vez.)

post grande. e o blog vai ficar à deriva por tempo indeterminado (já que eu também estou).
passem bem! passemos todos.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Dark'afternoon

"Midnight machine, made of details
Just another person on the way
Walking with the wind to take the car
I please you to stay...
Stay on my way.

Some face in the dark'afternoon
With a beer and one star
Start! Let's play the game of love.
Roll the dices, ask your questions
And I stare at you...
Performing my confessions

Always busy, always fast
I'm scared you don't know why
I made my plan and broke all rules
- Maybe I'm right: you'll be mine -

Any dream, any night, any kiss
And I picture you on my mind
So I beg you to set my puzzle apart
You do not hear, keep passing by

You failed to notice me
But I have one last shot
And I will stay for one more nigh..."
(o2/o7/o8)


um café frio, um cigarro diferente e a cabeça em outro lugar. é, não tenho mais salvação.

(Ouvindo: The Corrs - Don't say you love. a letra é auto-explicativa)

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Da janela...

pela janela vemos tudo e o mundo. inclusive, é pela janela que a vizinha se assusta com a minha cara de louca - não a culpo. uma menina escabelada, fumando, com um copo na mão - é café! sempre ele. -, um caderno, uma caneta, um casaco bem grande e que faz caretas aleatoriamente. assim, sem mais ou menos. assim, sozinha mesmo - como sempre foi e será. É preciso aceitar o destino, as imposições, as falácias e o que seja. É preciso acordar com um cara razoável e guardar as caretas para si e para a solidão - embora ela não mereça, é boa companheira.

passado o mês, percebi a minha facilidade - e afinidade - com o nomadismo. me sou em qualquer lugar e agrego, rapidamente, o sentimento de permanência sem pertencimento. diria até que não sou, não na totalidade da oração; diria que permaneço. não sou, só permaneço. que graça!

permaneci, é fato, mas agora a realidade chama, os compromissos, a tal da responsabilidade - coisinha desagradável! e tenho trocentos problemas para resolver. os mesmos que eu criei. tanto quanto bem quis criar. criar problemas fazer promessas, pagar dívidas, pensar no impossível. - a caneta quis escrever "querer", mas voltei a dominá-la. e ela sabe que não quero mais coisa qualquer. ela sabe... muitos assuntos ainda ficam entre mim e ela. - é bom, passa o tempo. nos faz pensar de outro modo, noutra dimensão. e viva Platão!

mas depois, acorda-se sozinho, lidando com o real. já me disseram que meus problemas se dão por mim, porque penso - estou errada, claro.
e a família lida com tanta excentricidade dizendo: "pois ela é inteligente, sabe se virar. tem alma e perturbações dum poeta!". Acho digno!
porque torna toda a loucura admirável, admissível e poética. embora cobranças existam, claro, mas numa família toda problemática, eu sou a que dará certo, o motivo de alguns orgulhos - e muitos sermões. a que tem o destino linear, simples, sem impedimentos e infinito, sem limites; aquela que, quando sóbria, é boa parente, boa no jogo, fria e racional no amor; a dos bons conselhos, dos planos e da teoria; a que vai corrigir provas, fazer planos de aula, trabalhos e projetos alheios (não é sempre imprestável) - porque quando ébria, discutirá, dará opiniões subversivas, rirá, perderá a compostura e se abrirá de vez, jogando tudo em cima dos outros; ou se fechará completamente -; aquela que guarda o que escreve e passa madrugadas conversando trivialidades com uns, filosofia com outros e se abrindo com poucos (a com os hábitos estranhos, noturnos, taciturnos); aquela que não toma atitudes e planeja tudo, com cálculos matemáticos e equações de terceiro grau; aquela que gosta de escrever e é subjetiva e vaga (alguns diriam vagaba); aquela que pára o mundo e vai observá-lo. a estranha interessante e com um futuro exemplar.

opiniões superficiais. afinal, todos olham da janela. e me conhecem pela metade, por não conhecer, porque eu imponho mais medo que o impossível (e não gosto disso). é, digo que cansei de estar nas vitrines. até brinquedos escangalhados como eu merecem um lar, uma companhia. e isso me lembra uma estória que minha mãe me contava... saudades dela e de mim.
pois o tal brinquedo saiu da vitrine. cansou de esperar, pateticamente, pelo improvável. cansou de fazer graça sem a ter. e o que está com defeito tem que ser tirado de circulação. pedem sem pedir, e obedecerei sem demonstrar aflição.
e volto ao que aguarda e guarda. sem salvações para mim, passarei a cometer o mesmo novamente - e por vezes seguidas - pra me tornar o que não sou.

Guilhotina para o coração! Porque eu mereço! e tenho que cumprir meu papel. ao invés de assustar transeuntes desavisados e passar com o vento. ok! eu me responsabilizo.
e eu não nasci pra ser vivida, ou titular; mas para ser vista pela janela, pela vitrine. qualquer vidro ou distância que passe segurança.
é, nem todas as histórias terminam com um “felizes para sempre”.


(Ouvindo: Los Hermanos - Último Romance. é uma letra bacana.)

sábado, 24 de maio de 2008

Esperanças.

às vezes a gente mata as esperanças. elas pesam, são cruz. é realmente mais fácil continuar sem elas.
esperanças são para os passionais. para os frios, racionais - para mim - é tudo um grande jogo matemático. é tudo uma questão de probabilidade e tempo.
eu sei contar e sei somar, só não tenho tempo a perder...



"Eu quero que você me ame
Que você me chame quando precisar
Eu quero saber ir embora
Sem ter dia e hora pra poder voltar
Eu quero enquanto o tempo passa que você na raça
saiba me ganhar
Eu quero ter a vida inteira
Pra fazer besteira e você perdoar
O que eu sei hoje da vida
Até Deus duvida e eu vou te ensinar
Eu sei dizer tudo que eu sinto
E até o que eu não sinto pra me disfarçar
Eu sei calar na hora exata
Eu sei que a dor não mata mas pode marcar
Eu sei traçar a minha meta
ninguém é poeta por saber rimar
E por falar em poesia
Vai raiar o dia e eu vou te buscar
Eu quero juro de verdade
Que toda cidade veja eu te levar
Por todos os meus descaminhos
Somos tão sozinhos que o melhor mesmo é se dar
Eu quero que você se dane
E mesmo que eu te engane
É assim que eu sei te amar."

(Sérgio Bittencourt - Eu quero)


quero ou queria? talvez devesse querer... no final, o que resta é o tempo verbal. e essa letra me descreve até doer.

(Ouvindo: Paulinho Moska - A Seta e o Alvo)
. Eu grito por liberdade, você deixa a porta se fechar 
Eu quero saber a verdade, e você se preocupa em não se machucar
Eu corro todos os riscos, você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro, e você se satisfaz com metade.

não sei porque ainda cogitei dar mais que a metade.

sábado, 17 de maio de 2008

Dear diary:

Querido diário,


Hoje acordei psicopata. Psicopata e debochada. Já arquitetei meu plano de dominação mundial.
E ganhei uma caneta. Fiquei realmente feliz pela caneta. Talvez seja a crise de meia idade, talvez seja a luz de Deus, ou a falta de álcool (nem sei mais o que é beber).
Tudo bem que a caneta é daquelas de brinde. Who cares! Tudo bem que minha tia ganhou milhares delas e podia vendê-las no mercado negro (junto com órgãos), ou dá-las a uma escola do governo – se é que eles teriam papel para utilizarem o “presente”. Mas não, ela deu pra mim e estou contente por isso. Embora esteja escrito “Dia Nac. da Enfermagem 2008”, ela é bonita. E logo enfermagem... Eu nem sei cuidar de mim. Que se dane a enfermagem! E que Deus abençoe as enfermeiras e as canetas.
Como isso aqui estava parecendo leitura de velório – vide “posts” anteriores -, resolvi dar uma alegria ao meu viver. Afinal, o que as crianças do meu Brasil –sil –sil pensariam ao ler isso? Bom, não gosto de crianças mesmo e nem elas de mim (salvo raras exceções). Mas posso ser madrinha – quem sabe? Quando eu tiver muito dinheiro, vou comprá-las com doces e brinquedinhos de sex shop (porque é preciso ensinar desde cedo). Ou sem brinquedinhos de sex shop.
Está um frio da derrota aqui e estou tremendo mais que o último papa no leito de morte – que Deus o tenha! Mas o frio é bom. Só faltava o vinho... Bah! Nem sei mais o que é álcool... Mas lembro fácil, é só marcarmos um encontro (eu e ele).

O que uma pessoa como eu desejaria agora? Eu não sei...

Descobri que esperar não é ruim, mas só quando se tem cigarros. O que mata é correr atrás. Não sou esportista e nem passional, então espero. Fumando, porque dá um ar mais chique e ficar envolta pela fumaça, me lembra o “fog” londrino dos filmes de amor (tenho horror a filmes de amor. Não gosto de finais felizes, ou não acredito).

Queria ser canhota agora, mas não posso. Droga! Não me desesperarei, afinal, há muitas coisas que não me cabem.
Como boa otimista que sou, compartilharei da sabedoria de hoje: “Se a história tem um final feliz, é porque ela ainda não terminou.” Não se precipitem, crianças, tudo tende ao caos.

(Ainda bem que nosso espaço é apertadinho e não é para todos – nada é! -, me sentiria mal acabando com os sonhos dos pequerruchos.)

Como disse, a gente ri pra não virar bagunça. (Seriam as hienas mais felizes que nós? Quem há de saber. Quando cruzar com uma, baterei um papo-cabeça , no maior estilo “Frente a frente com Gabi” e trarei a resposta a essa questão.)

Garçom, uma bebida e um amor! Sem gelo, por favor. (o “gelo” vale para os dois.) Porque preciso aproveitar meu sábado. Ou um café. Café e cigarros me ganham fácil. Aceito convites.

Bom, queridíssimos leitores poucos e raros, bom final de semana para mim e para vocês.


(Sem musiquinha. O silêncio é mais romântico. Fica a dica.)

Beijos, me liguem! (Meu celular só anda servindo como peso de papel.)


PS: A caneta escreve bem demais.

...

De todas as canções.

"Calma! Vamos recuperar,
o fôlego necessário para viver.
Fique. Te imploro sem ajoelhar.
Porque nem tudo se resume ao clichê.


'Chique. Moderno. Aromático.'
Bom slogan. Amor vendido!
No leilão de tudo e de nós mesmos,
a moeda vale mais que o prêmio concedido.


As rosas não falam.
Sofrem de ser caladas.
Pacientes, dependentes, sobreviventes;
a chuvas tempestivas, secas conformadas, mão brutalizadas.
Não apenas elas, mas toda paixão entre dentes.

Nessa dança da solidão, perdemos o par.
Dançamos gelados, caiados.
Perdemos o quê, o tempo, o pé.
Na eterna romaria dos apaixonados.

Promessas e dívidas sem preço.
Meu coração explode com essa
gota d'água.
Ultimo romance! Eu bem que mereço.
Nada sei e amo mais você, meu abrigo.

Negue que sou sob medida para a sua mágoa.
É hora da virada! Como eu quero você de pernas pro ar.
Coisas que eu sei com o tempo perdido.
Vai.. Que eu fico, só pra você voltar."
(12/o5/08)


Sim, porque eu não tenho o que fazer. Preciso disso pra viver - azar de quem lê. E escrever tá na moda. Como tudo hoje em dia...


"Ela não sabe o meu rumo,
eu não lhe pergunto o seu:
não posso perder mais nada,
se o que houve já se perdeu."

- Cecília M.


Porque um cadinho de cultura a gente finge que tem. Mal, mas finge.
Vou fingir que tenho coração também. E fingirei que estou com saudades de casa. Ah-há! Pegadinha do malandro!!
Eu não tenho coração, mas tenho senso de humor; pouco, mas tenho.
E o que vale mais??

O fígado! É, ando precisando explorá-lo mesmo....

(Ouvindo: Something Corporate - Konstantine. Porque a música tem quase 10 minutos. E algo tem que durar na minha vida, que seja a música.)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

De tudo, restou você.

Porque minha prima gostou mais desse...

"Do tempo perdido - atemporal.
Do clima desvairado - meu temporal.
Das buscas eternas - meu terminal.
Do beijo roubado - tão imoral.
Da chama apagada - o imortal.
Da vida sem rumo - o seu sinal.
Dos passos errados - meu alto astral.
Do amor bandido - fui animal.
Dos poemas escritos - meu recital.
Da inércia compartilhada - estátua de sal.
Da paixão brusca, rápida e lenta - meu vendaval.
Do que senti, sinto e tanto - sem seu aval.
De cima, debaixo, ao lado - meu bom final.
De tudo, restou você - meu bem, meu mal."

(12/05/08)


E o telefone não toca, nem para despertar. Maldito mundo moderno! Pelo menos, o celular serve de agenda. Tudo tem que servir para algo. Menos eu, claro.

"No more feelings". Porque olhar de fora é o melhor a ser feito, sempre.

(Ouvindo: Beyoncé - Speechless. Porque ficar facilmente sem fala, ultimamente, não está me agradando.)

Deixar as pessoas brincarem com as cores dá nisso... Carnaval em pleno outono.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Viagem. dentro. fora.

Final de semana e dia das mães. Pus-me a viajar. Viajar mais, pois, sem pátria que sou, não acho um ponto que me sirva de direção. Bússola sem norte. E de que me serviria um norte? Tenho o resto dos pontos cardinais.

Tempo frio de edredom, chuva rasa para filme, encontro distante, lugar paradisíaco. Não me falta o romantismo, mas falta a minha família nesse quadro. Família equilibrada que somos, temos princípios e valores demais. Opostos, porque nem tudo é perfeito, mas algum apego sentimental nos une.

Dia de chegada, céu inenarrável, me perdi constantemente nele – cheguei a conclusão de que preciso aumentar o grau do óculos. E o mar era um espetáculo à parte. Grave e calmo.

Romantismo também ao ser acordada. Gritos, falações, vassouras passando com pressa pelo quarto e carregando meu sono, ou luzes acendendo.

Não posso reclamar, num belo sábado rolou um evento para quebrar a paz do paraíso. Crianças pelo chão, pessoas espalhadas em mesas, eu com o copo na mão – bebia cerveja, e por que não? -. Música boa, desconhecida. Forró da terceira idade – descobri o nome -, tão boa que não fez os festejantes movimentarem um músculo facial. Apenas para fofocarem e falarem mal dos outros nas mesas ao lado, e de mim, parada no bar. E as crianças jogavam estalinhos. Juntei-me a elas, porque também sou criança. Risos falsos, palavras tortas e erradas, fui para a chuva. O lado de fora era, de longe, mais interessante, porém ficava longe do bar. Nada é perfeito. Choveu e fiquei lá fora. – O que ‘cê ‘tá fazendo aí, sozinha, na chuva? – perguntavam. – Aproveitando a festa. – porque estava sóbria demais para sorrir.
Festa acabada, alguns pobres diabos foram expulsos, afinal os donos precisavam dormir – eu fui expulsa também. Então o que resta é a casa, com toda a família e o cachorro e o baralho e o café.

Buraco! Buracos. De todos os tipos. Pelo chão e nos jogos de azar. Azar que foi só meu, perdi todas as vezes. – Nem sempre se ganha, filha. – minha tia resolveu atacar de psicóloga. – E eu achando que nem sempre se perdia... errei mais uma vez – porque “perder” requer prática. Perdi a dignidade no buraco fechado e quase perdi o pé no buraco aberto – porque a chuva reabriu todos os buracos da rua e a gravidade me atrai ao centro e ao fundo.

Conversas, fofocas e recordando bons momentos de toda a trupe junta. Discussões, porque também falamos mal dos outros, e como falamos. Sentimentalismo e qualquer “quebra pau”, para me lembrar que uma família desequilibrada pode sim ser surpreendente, mas sempre honrará suas raízes.
Promessa minha, tão difícil de cumprir... Mas era preciso prometer algo. Diálogos, conselhos e aulas práticas. Minhas teorias furadas não convencem mais ninguém. Mas é sempre bom aprender, o que quer que seja.
Retrato bonito. De uma família intensa, insana e impetuosa. Tramas e desenrolos de romances, daqueles bem dramáticos, almodovianos.
Mães felizes, porque sentiam saudades. Filhos felizes porque tinham motivo para sentir também. E não foi tão ruim assim. Pelo menos me fez sentir saudade – ou algo próximo a isso – de casa. Porque soube que ainda tenho uma. Aprendi tanto... Que nem sei mais. Nem poderia, ou saberia, explicar.
Exceto pela chuva, frio, gripe... Mas isso é outra história.

De volta à sociedade, realidade, necessidade. Inerentes a todo ser humano. De volta ao que sou, ou poderia ser. De volta a mim.

Voltar de onde e para quê? Para quem – audácia minha perguntar.? Passa o tempo, passa a volta, a ida, a estada. E como salvar o que ainda não se perdeu? Como tentar segurar o que escorre pelos dedos? Puxo, empurro, peço para ficar? “Deixa que tudo se ajeita” diz a voz da sabedoria. Mas não quero essa disposição “ajeitada”, essa coisa brasileira de deixar o tempo curar. Não quero cura, não quero tempo. Quero agora! E não faz diferença, mas não é mesmo para fazer. Nem tudo precisa significar algo, nem tudo precisa ser só o que está escrito.

Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo..
Tudo é ilusão
.
Sonhar é sabê-lo
.

(Fernando Pessoa)

(Ouvindo: HooverphonicMad about you. Porque enlouquecer é tendência.)

terça-feira, 6 de maio de 2008

Qualquer coisa...

Depois de começar - ou terminar - temos que dar continuidade ao fato. Mas como? Se a vida é tão imparcial?

Há quem prefira terminar e se solucionar sozinho. Há quem não saiba ser sozinho e precise de companhia para chegar ao mesmo denominador comum – inexistente.

Há quem diga que o tempo cura tudo. Amores unilaterais, mal resolvidos, mal criados. Tem até quem pense que o tempo cura o incurável. Pois não cura – sinto dizer. O tempo é tudo (ou nada – como quiserem), absoluto e relativo. O tempo é só o que temos por e contra nós. Nada além disso.

Com ele aprendemos muito – a duras penas – sobre nós e sobre o mundo. Ações podem gerar reações intermináveis que se estenderão e nos acompanharão por toda a eternidade. A eternidade não existe. Mas nem o mundo “real” nos assusta tanto quanto ela.

Mais um gole de café, mais um trago, mais uma palavra de paz. Pronto! Tudo perfeito e contínuo. E reticente...

Ensinam que retas se estendem pelo infinito. Ensinam que o universo é infinito. Deus e sua benevolência também o são. E lidar com o infinito é a pior parte. Não há começo nem fim. É tudo inclusivo e feito só de desenvolvimento.

A noite é sem lua, embora tenha várias estrelas. Mas talvez – só e simplesmente -, o universo tão infinito se choque e exploda aqui, do lado de dentro. Causando mais um Big Bang, que não formará planetas, galáxias ou teorias superlativas.

Não, meu “Big Bang” não forma coisa alguma. Só o inominável, indescritível. Só o que não há – e nem permite – gravidade, rotação e translação. Só o que não há forma, nem equação. Só o que não posso escrever.

É, essa força foi criadora de sistemas num universo todo infinito. Criadora da vida – de acordo com a ciência e discordo disso. Mas só foi catalogada uma vez. Há tanto tempo atrás.

Eu lido com ela diariamente, concomitantemente, e me afasto até do que aproximo. O contrário também acontece.

Talvez um dia digam algo da garota que carregava o infinito dentro de si e que formava e destruía planetas, diariamente. Ou não digam coisa qualquer.

Só o tempo dirá. Enquanto meus dias ainda forem de acordo com esse relógio e esse mundo todo vivo.

(Cantarolando: Dança da Solidão – Paulinho da Portela, ou da Viola – como quiserem. Porque se tudo tende ao caos, ainda posso argumentar. Mas, no final, só a solidão nos acompanha – por opção, ou não. E dancemos juntos!)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

"Pra começar, ou terminar?"

Pra começar, a gente escreve "fim".

Posto que dizem "tudo começa com um sim". É um bom texto, não há duvidas, mas pra algo começar, algo termina. Ou se aproxima disso...

Fim!

Comecemos então, mas comecemos pelo final - porque o final está aí, para todos vermos. O final é sempre mais emocionante, mais xingado, gritado, passional.

Começar é tão difícil quanto terminar. É mais difícil ainda encarar o "sem fim". Essa coisa toda, essa loucura gritada – e famigerada -, apaixonada. O eterno tem fim, minha gente. Perdoem-me os amantes, mas nada dura para sempre. E se durar, é porque o pra sempre acabou.


E lá me vem você, com sorriso manso, mãos inertes, como se soubesse do que não fala. Como se soubesse do que eu não preciso ouvir, como se soubesse de mim... E lá vem você, vindo de chuvas, sóis, desertos gélidos ou infernais, com esse sorriso que zomba sempre da minha confusão. E lá vem você, só para dar boa noite, para ir embora, me fazer perder a hora, o sono, a cabeça. E lá vem você, desobedecendo a minha religião, o meu desejo de paz, o meu dia tão insólito, o meu pedido de solidão. E lá vem você, que fica pouco, pois respeita o relógio lunar – também sou lunar -, respeita a hora dos galos e dos japoneses, a hora da vida. E lá vem você, com palavras doces, ora ríspidas, meigas e reconfortantes, ora vulcões. E lá vem você... Mas dura pouco, vai-se com a brisa que sopra para o mar.

Durou...

E lá vai você, como todas as pessoas, com um pedaço de mim.

Inteiros e absolutos não existem mais.

Fumando, porque o tempo passa mais rápido.

(Ouvindo o barulho do vento, já que a modernidade roubou o tic-tac do meu relógio.)