quinta-feira, 14 de maio de 2009

Desenho de giz.

Uhum, depois de um tempo sem passar por aqui, voltei!
(A filha rebelde retorna. Isso é bíblico, pra quem não conhece.)

Tá, eu não tenho o que dizer, normalíssimo. Mas digo! Por sina, destino, karma, falta do que fazer, os diabos!
Quando não se tem aventuras ou coisa melhor, ainda existem as palavras. Palavras, palavras, bens materiais e eu quero ser enterrada com elas - não, não entrarei na morbidez. Acho incrível o poder que elas tem, exercem, exigem, destinam. Sorte ou azar, num país com um índice de analfabetismo beirando a utopia, nunca saberei se é melhor ter visão ou acompanhar a multidão.
Isso me lembrou o "Ensaio sobre a cegueira", não tinha pensado ainda na mensagem que esse livro/filme passa. Tá aí, mais um ótimo projeto de análise humana, algo antropológico e bem requintado. - Mas continua perdendo para Maquiavel e sua tese sobre o caráter humano em "O Príncipe", aquilo é um delito, uma paixão! A única pessoa que, ao afirmar algo, eu não posso pensar em negar. Depois vamos para Hobbes, Rousseau... Ok, quem leu as máximas dos três vai me chamar de pessimista, péssima e muito bitolada. Não espero o pior da índole humana, só espero o mais selvagem, zoomorfização. Muito bem escrito em "O Cortiço" de Aluísio de Azevedo. "O homem é em suas situações.", perdoem-me, mas esqueci quem disse isso.

Tá, parei com a minha teoria de "o problema é o homem, que estraga seus iguais, toda a sociedade e seu habitat", não tenho instinto tão aguçado para tal.
O que eu queria dizer é: os seres humanos passam por cima de todos pelo que querem (seja isso o que for). E isso não é somente antropológico, é política! Tudo é política, somos seres políticos - unfortunately - e alguns se tornam ainda mais engajados e militantes. Nada contra, mas ninguém me fará lutar por algo que eu não conheça ou aceite. Não dou a cara à tapa por diversão, prefiro beber.




"Bastaria um aceno, um cumprimento
e eu estaria por tantos outonos operando milagres.
E são outonos que se alternam,
frios e quentes e trazem na bagagem
algumas folhas que não resistiram, foram ao chão.
Um aceno, um cumprimento
e cá estou eu,
contando flores, pintando o sete.
Querendo logo o inverno e pulando estações.
A graça de fiar o tempo fazendo qualquer coisa,
o mundo não me devora.
O frio e o vento não me desgastam.
Espero, ainda hoje, com os mesmos olhos de ontem,
mesmo sorriso de antes,
mesma aflição de outrora.
A mesma pessoa, no mesmo lugar - e isso parece nostálgico,
soa meio cotidiano, mas não -,
com a paciência que os poucos e fugazes anos me deram,
a calma de quem sabe o porquê da espera,
o sorriso, porque vale a pena.
...
Uma certa caneta impertinente,
só curiosidade e ela não faz mal.
"Over the rainbow", ou nessa pressa de mundo,
frenético e exigente demais para mim.
Ainda mandarei um postal,
o Rio pode não ser assim tão lindo e sou nada convincente,
não peço ou exijo - bela insegurança.
Às vezes, demonstro.

Eu te espero hoje ou na semana que virá.
Primavera, verão, outono...
E eu te espero com café."



- Ouvindo: Radiohead - Let Down.