segunda-feira, 23 de junho de 2008

"reality escapes her"

acordei pensativa e saudosista.
sim, se eu - por desventura do acaso - arrumar crianças, poderia contar que já fui de tudo na vida.

posso dizer, por exemplo, que já fui esportista. era o que chamaria de criança olímpica: adorava uns jogos, e todos os esportes. hoje, sobraram só as mazelas: pulso aberto (chato de localizar e bem doloroso), rótula deslocada, nervos do pé "quebrados" e alguns ossos e articulações que doem com o frio - como o que faz hoje. algumas lembranças boas e cobranças nem tão boas assim. "o esporte não dá dinheiro, você sempre chega quebrada em casa! deve gostar, só pode..." - pois bem, eu curtia. era sádica desde nova.
é, ainda conservo um espírito torcedor, fanatismo talvez.

também já fui dada ao desenho. o que é tão mal visto quanto. afinal, não tinha matéria copiada no caderno, só uma imaginação fértil em três dimensões. "você pretende estudar como? vai fazer um desenho na prova!?!?". tenho alguns papéis rabiscados ainda, bem guardados. e meus amigos eram o lápis e a borracha. nos dávamos bem até; vezenquando conversamos, agora e cada vez menos. talvez eles se irritem por eu ter rompido nosso laço. e ainda tenho a mania de rabiscar garranchos no papel... desenhar o que não vejo é sempre mais interessante.
bom, preferência por desenho animado se explica aí.

e veio a música, essa durou bem pouco. não é interessante ouvir barulhos de instrumentos em horas impróprias. aquela coisa: te dou, mas não precisa usar. e depois de certo tempo obedeci, ou acostumei, não lembro...
e ficou o costume das notas imaginárias e das viagens nas melodias. Beethoven sempre me leva pra longe. alguns gostos exóticos por óperas subversivas e intensas, macabras e que ofendem. companheiras apesar de tudo.

e veio a pintura. pinceladas estranhas com um quê de medo e agressão. "é coisa da idade, passa." - pois bem, passou. mas ainda me interesso pela arte e por tudo que diz respeito... gosto das formas e das cores - apesar dos pesares... bom, nem tudo que fica é bom.

depois veio a paixão pela leitura. "é cada vez mais impressionante o modo como essa menina se exclui da vida. sem amigos e só vive jogada pelos cantos - às traças - com um livro na mão, ou pendurada em uma janela..." - ok, ler pelo menos é mais produtivo que as outras coisas. mas nunca dá dinheiro o suficiente (nem coisa alguma que eu fizesse), apesar de dar alguma cultura.
e passar mais de oito horas em uma livraria não é convincente (verdades nunca são). eu teria que ler livros didáticos.
e ficou a mania de ler andando pela rua, fumando, comendo, bebendo, em aulas... e certos sonhos meio bizarros.

aí vem um "quero ser professora!" - já fui subversiva e cheia de vontades. dar aulas por aqui, acolá e vamos nessa. é algo muito bacana, mas não é bom o suficiente (não se ganha dinheiro dando aulas. fato!). e essa foi mais uma crise excêntrica da menina-mimada-rebelde-sem-causa. "ao invés de estudar pra ser alguém, você perde tempo ensinando. não sei o que, já que você não estuda para aprender.". menos uma mania feia nessa lista. parei de dar aulas e agora querem que eu volte. estranho isso...
e fica a intromissão de explicar tudo que pedem, aquela coisa quase didática, quase teórica, quase humana. e sempre perguntam para mim... hoje em dia, as coisas correm, ninguém tem paciência para isso mais.

e a mania de escrever... essa necessidade ainda me persegue.


é, já fui muita coisa nessa vida. hoje não sou. acho que de tanto ser, a gente acaba sendo coisa alguma. é o "happy ending" da história, precisa ser feliz? creio que não.

de fato, hoje não sou. ou melhor, sou só o que não presta, não serve, não cabe. hábitos errados não terminam... acho que, se eu tivesse sido qualquer coisa acima, seria maravilhoso, comparado ao que sou agora. mas os sonhos dos outros pesam, as cobranças e a verdade deles sempre é maior que a minha "realidade".


. Ouvindo: Fuel - Shimmer (Acoustic).

"Isso está muito longe de mim para eu abraçar
Muito longe…
Acho que eu vou deixar ir embora"
- me lembra alguém.


p.s.: escrever em teclado virtual nem é mára.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

encontro

"Mancomunei planos para te ver
Santos, tantos, encantos, prantos
E todas as equações para esquecer
Saber, beber, correr, morrer?

Café! Encontro pós dia movimentado
Num bar, um lugar, um cigarro, cadeira de plástico
E eu me embaraço, escorraço, estou ao seu lado
De carro, te olham, me vêem sem graça.

Fugimos pra longe dos olhos famintos
De beijos, abraços, carinhos distintos
Buscamos um passo, um traço na praça
E chove... tão forte que o vento ameaça.

Ficamos imóveis, molhados, mãos dadas
Sorrimos sem medo, pudor ou levada
Eu peço: me beije, me abrace que o frio passa
Encabulo-te rápido, fico calada.


A tarde se esvai, nos rouba palavras
Fico arrasada, passada, deslocada e te levo pra casa
E vem despedida, hora corrida, cigarro em brasa
Volto
sozinha, na dor dilacerada, fria na noite, com sua rosa guardada."

(13/o6/o8)

pronto! agora só falta colocar a partitura.

boa semana para nós!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

É isso aí...

Semana fria, fria demais. resolvi jogar carteado com o destino. minucioso e cheio de cartas na manga.
ganhei a primeira, meu
ceticismo histórico e inexplicável ainda era maior que o medo.
depois de uma boa partida, ele me ganha a segunda.
mais uma vez e desempatamos.
eu sabia que ia perder, tinha certeza. como perdi o sono nessa madrugada, a fala, a fome, a densidade. perderia o raciocínio também - ou apenas o seguiria, ignorando o resto.

eu insisti, fiz miséria, medi tempo, altura, velocidade e ignorei a queda.
e ele alternava entre bárbaro, cínico, prepotente e assustado. era misterioso como convinha, sorria e mudava todas as minhas perguntas. e estava certo, sem perguntas.

eu perdi. de raiva, cansaço, incapacidade, o diabo! perdi a cabeça - não sei a tive.
ele sorriu de tristeza, não é bom ganhar quem escolhe não competir e não gritar. tudo perde o prazer.

e é isso mesmo, sem gritos, meia boca e alusões a ilusões, sem neologismo ou
subjetividade. agora vamos aos fatos, ao provável. sem inatingíveis e rodeios.

e essa mania de fazer planos, tomar atitudes, fazer força pra estar, de algum modo, na vida de alguém. essa minha mania de florear e procurar significados no que não tem, no que é explícito; essa mania de "se", "talvez", "todavia", quem saberia? sem porquanto, por enquanto, por encanto... sem. sem caras e sentimentos a dar a tapas, medindo etapas, ouvindo tapes. sem querer o que não é
cabível; sem mais cigarros engasgados; sentimentos embasbacados; sentidos aguçados.
e esse cheiro de café e cigarros, cinzas e pó e só. e tanta dor de cabeça, olheiras, olhos, garganta, rouquidão, rispidez. sem espaços para quem não os quer, não ocupa e nem os ocuparia - não culpo. sem culpa.

é, tenho quem me leve para casa. pessoas passam a vida desejando isso. eu tenho e trocaria - no pretérito bem terminado, imperfeito, mas fechado. trocaria sim, mas é o que tenho. é o que posso. e é por onde seguirei. ainda prefiro tudo de alma. coisas jogadas pela janela,
objetos voadores, crises siderais. é, cansei de ficar na estante e de estepe. como num circo, aonde pagam, olham e riem e vão embora - sempre. e eu ainda fazia exposições de graça...
já fiquei por tantas noites, tantos dias, tanta loucura e neblina... levante, lave o rosto e sorria. não se pode querer o impossível, não se pode indagar Deus, acaso ou destino.

e esse frio, que vem de todos os lados, que não há coberta que esquente. e só um corpo presente... outro ausente, de presente; sem presente e só passado. pois a vida é cíclica e os fatos não se negam, não se pode fugir.

ok, presente, vamos nos entender. com cigarros, álcool e café, porque preciso me esquentar.
se eu pudesse, dava com a cabeça na parede até esquecer tudo... ou só um pouco, só por um segundo.
(há
insônias provocadas, doutores não entenderiam. e eu sofro do mal de pensar)

sem compromissos, por hora não dá. comigo não dá... mas sempre existe a tangente, existe a palavra que inventarei pra responder os pedidos, os loucos, os românticos. mas eu fico com o destino - mesmo a contragosto -, é só o que existe.
depois de tanto tempo se dando e abrindo de graça, o brinquedo escangalhado quer um lar.
e vamos à ele, sem corridas em beira de praia - não preciso me
autoflagelar mais -, mas nos meus passos que o lar saberá que cheguei. como no diálogo:
- você é a filha rebelde,
Anna. vem, fica, vai e faz essa mãe aqui sentir falta.
- mas eu sempre volto...
- dessa vez fica?

mesmo que a resposta venha depois de três dias, dessa vez fico... por egoísmo, carência, altruísmo, medo, os
cambau. mas fico. e dessa vez completamente.


e mais um cigarro, mais uma vez. só para acentuar a dor na garganta...


(Ouvindo: Stephen Speaks - Out of My League. e eu estou desmontada mais uma vez.)

post grande. e o blog vai ficar à deriva por tempo indeterminado (já que eu também estou).
passem bem! passemos todos.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Dark'afternoon

"Midnight machine, made of details
Just another person on the way
Walking with the wind to take the car
I please you to stay...
Stay on my way.

Some face in the dark'afternoon
With a beer and one star
Start! Let's play the game of love.
Roll the dices, ask your questions
And I stare at you...
Performing my confessions

Always busy, always fast
I'm scared you don't know why
I made my plan and broke all rules
- Maybe I'm right: you'll be mine -

Any dream, any night, any kiss
And I picture you on my mind
So I beg you to set my puzzle apart
You do not hear, keep passing by

You failed to notice me
But I have one last shot
And I will stay for one more nigh..."
(o2/o7/o8)


um café frio, um cigarro diferente e a cabeça em outro lugar. é, não tenho mais salvação.

(Ouvindo: The Corrs - Don't say you love. a letra é auto-explicativa)