quinta-feira, 24 de abril de 2008

"Pra começar, ou terminar?"

Pra começar, a gente escreve "fim".

Posto que dizem "tudo começa com um sim". É um bom texto, não há duvidas, mas pra algo começar, algo termina. Ou se aproxima disso...

Fim!

Comecemos então, mas comecemos pelo final - porque o final está aí, para todos vermos. O final é sempre mais emocionante, mais xingado, gritado, passional.

Começar é tão difícil quanto terminar. É mais difícil ainda encarar o "sem fim". Essa coisa toda, essa loucura gritada – e famigerada -, apaixonada. O eterno tem fim, minha gente. Perdoem-me os amantes, mas nada dura para sempre. E se durar, é porque o pra sempre acabou.


E lá me vem você, com sorriso manso, mãos inertes, como se soubesse do que não fala. Como se soubesse do que eu não preciso ouvir, como se soubesse de mim... E lá vem você, vindo de chuvas, sóis, desertos gélidos ou infernais, com esse sorriso que zomba sempre da minha confusão. E lá vem você, só para dar boa noite, para ir embora, me fazer perder a hora, o sono, a cabeça. E lá vem você, desobedecendo a minha religião, o meu desejo de paz, o meu dia tão insólito, o meu pedido de solidão. E lá vem você, que fica pouco, pois respeita o relógio lunar – também sou lunar -, respeita a hora dos galos e dos japoneses, a hora da vida. E lá vem você, com palavras doces, ora ríspidas, meigas e reconfortantes, ora vulcões. E lá vem você... Mas dura pouco, vai-se com a brisa que sopra para o mar.

Durou...

E lá vai você, como todas as pessoas, com um pedaço de mim.

Inteiros e absolutos não existem mais.

Fumando, porque o tempo passa mais rápido.

(Ouvindo o barulho do vento, já que a modernidade roubou o tic-tac do meu relógio.)