sábado, 28 de fevereiro de 2009

Um sábado a menos. Um café a mais...

Não sei o que as pessoas tanto fazem se gastando por aí. E isso é sério - como pouca em mim é.

Ou sou eu meio inevitável, meio cretina, meio viciada; eu que nunca sei a hora certa, não uso relógio, não tenho limites, não sou pontual; eu que ando em falta com os outros por pura falta de vergonha, ou de intimidade - essa também se perde com o tempo; eu bebendo café e fumando porque a hora se arrasta e não vou ver Zorra Total; eu com saudades, sem maldade; eu sem palavras e com frases desconexas e sem efeito moral - a minha moral foi comprar cigarros e não apareceu até hoje, nem no Linha Direta; eu sem pijama, que não durmo sozinha na cama e sozinha em casa escura - prefiro; eu sem tesão por festinhas, sem entusiasmos pra blocos e passeatas, disposta em casa e do avesso; eu que sento torta na cadeira, que reajo conforme a música e ando tropeçando pela rua; eu que bebo até cair - de sono -, que fumo até ficar sem ar; eu que não ligo pra convenções, regras e imposições; eu que não sei de tramas, perdi os tremas e não li Saussure. Eu que, quando quero, não tenho; quando posso, descarto e deixo tanto pra depois; eu que discuto bagatelas e reclamo mediocridades; eu que fujo de gente, sou ignorante quando quero e super geniosa. Eu que sou educada, que respeito e não piso em cima e faço o que posso; eu que quero demais, o que não tenho, o que não posso e quem não posso. Eu que não ligo no dia seguinte, que não sei dizer "não", que não sirvo contra a parede; eu que acredito em mentiras, tenho princípios e me falta impulso. Eu que rolei minha playlist, que escangalhei meu som, que queimei meus teclados. Eu que tenho tendência à autodestruição, que não sei manter laços e não gosto de magoar ninguém. Eu que sou irresponsável, imatura, maluca e rebelde sem causa; eu com óculos de sol e fones de ouvido porque não me gasto com o feio. Eu que só respondo chamada, só falo se solicitada e odeio me abrir. Eu que me dou aos poucos - não visível aos olhos de outros. grandes pedaços aos meus -, que observo detalhes e passeio. Eu que ainda tenho pressa, ainda sorrio e acho graça no menos; eu que sou paciente, de cara lavada e inconsequente; eu que não sou misteriosa, mas não faço por onde pra ser entendida, não sou divertida, mas dou os meus pulos.
Pulo linha.
Eu que escrevo pra mim e é necessidade; eu que me dou quando quero e o faço de graça - mas por merecimento -; eu entrelinhas, nessas linhas sempre minhas.
Eu, num sábado à noite, sem nada em mente e bebendo só café. Eu que faço pose de séria, mas sou uma bela piada.
Eu que escrevo e assino - sempre. Eu que não minto. Eu que não prendo. Eu que me abro e me fecho, rapidamente.
Eu que colocarei algo suave e que soe bem aos meus ouvidos.
Eu que leio e-mails fumando e corrijo textos bebendo café. Eu que sou viciada em jogo de cartas, em filmes de drama, em música clássica que reverbera por toda casa e assanha as minhas células mais tímidas. Eu que não me convenço, não me nomeio e não ligo tanto para o que pensam. Eu que ainda escrevo cartas, que cumpro promessas, que inauguro reinos e dou valor a alguém; eu que não chamo a atenção, que não chamo pessoas, que respiro solidão - até acompanhada. Eu que não acredito em destino e odeio coincidências. Eu que sou capricorniana e meto medo em algumas pessoas, que sou pragmática, vidente, adivinha, metódica e cheia de manias. Eu que não sirvo pra casar, mas sei fazer café, até cozinho. Eu que funciono sozinha, mas gosto de companhia - gosto em silêncio. não sei me abrir. Eu que bloqueio, não gosto de coisas supérfluas, vernáculo desgastado, palavras vagas e vãs onde sentimos a ausência da alma na frase. Eu que não preciso de declarações de amor, mas admiro-as. Eu que quero tudo do meu jeito, discordo do mundo e tô sempre certa.
Eu que tô sozinha em casa, num sábado à noite, abrindo a alma.

(Acendo um cigarro. Porque nada que é suficiente me basta.)

Eu que leio livros que ninguém gosta, ouço coisas incompreensíveis, brinco com a palavra - eu acima dela - e acho o Português uma graça, mas odeio regras. Eu que amo porque sim, que quero por querer e meço tudo meticulosamente. Eu que também me decepciono, também desabo e sinto falta; eu que erro muito e me magoo; eu que não sei do clichê; eu que sinto muito - e é muito mesmo. Eu que desafio, que duvido, que pago pra ver! Eu que fujo, descarto canastra, desfaço meu jogo e seguro cartas. Eu que tenho cartas na manga.
Eu que sou tapada, mas não completamente ignorante. Que gosto do meu cabelo dia sim, dia não; que quero estapear o mundo de quando em vez ou acho tudo uma graça. Eu que reclamo, grito, sacudo e deixo passar...
Eu que fico, que fujo, que permaneço - porque verbos de ligação me fodem a cabeça.
Eu que faço miséria, não gosto de guerra e também quero a paz mundial.
Eu que não aprendo, que não ouço e minha teimosia é colossal. Eu que sou megalomaníaca, provinciana, arquetípica, desequilibrada, não convencional.
Sou eu em tons sóbrios ou chamativos, falando pouco e sendo educada. Caduca, velha, briguenta e fujona.


Sou eu que estou com saudades de você. E escrevo, descabelada, qualquer coisa sem nexo que combine com isso. Sou eu com pijama de bichinhos e fazendo caretas. E ficando sem graça... E ficando de graça. Sou eu sem cor e sem coro, sem voz e sem fala brigando com o teclado; eu meio esquizo, esquista, desastrada; eu que limpo os óculos a cada minuto, eu nostálgica e saudosista. Eu meio inversa e de cabeça pra baixo; eu sem começo, sem fim e com estrada noturna. Eu sem medo de leão e contando histórias e inventando outras e falando dos outros e escrevendo cotidianos nada extraordinários. Eu sem cabeça, sem presente de Natal, sem chocolates na Páscoa; eu nada carnavalesca; eu que já fui meio promíscua e não omito, que não me entendo, mas me explico - sempre. Que não desligo primeiro, que tenho minhas vergonhas. Eu em meus mais variados humores - sem ser bipolar -, onde todos gostam de você.

Eu que ainda acho que o mundo tem jeito.


E ouço Beethoven – Love Story. Porque acredito e quero pra já!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

carnaval.

Carnaval! Ah, uma época maravilhosa, todos felizes e comemorando - sabe Deus o que -, pulando, se divertindo... O mundo que espere, é carnaval!


.Odeio folia, odeio blocos, odeio bêbados, odeio promiscuidade, odeio futilidade, odeio o BBB, odeio Paulo Coelho, odeio pagode, odeio funk... E segue até o infinito. Resumindo, odeio essa maldita cultura que louva a ignorância, que aprecia o ilícito e cultua o errado.
Tudo bem, conceitos de "certo" e "errado" são amplos e relativos, variam de acordo com os pontos de vista, de acordo com cada um.
Mas tem que existir algo além, acima disso. Algo que seja comum, que sobressaia, que sugira um certo "controle" a essa sociedade atual.

Pensarei nisso por longos anos e não chegarei a conclusão sequer.

Ah, o carnaval! Uma ótima desculpa para beber, e beber, e beber... E fingir participar de um rodinha, fingir que se tem quatrocentos amigos - como o orkut, que calcula por cima, só por um aceno, somos amigos de toda rede -, várias festas, vários eventos e muito alto astral pra curtirmos e vadiarmos até o Sol apontar atrás dos edifícios centrais e da paisagem cinza e morta que toma conta dos lugares. Tudo em nome do progresso! Temos progresso - tenho dúvida quanto a isso -, mas a ordem ficou sepultada embaixo de tanto arranha-céu.

O mais interessante é pensar que o país gasta tanto pra ter cinco dias de folia, é muito dinheiro investido nesse "progresso". O progresso da Sapucaí, ou melhor, analisando o quesito "evolução". Ta aí, um que eu nunca entendi, a tal da evolução da escola. O que evolui, em que, e quando?
Bem, as escolas tem evolução e o país está em progresso, pelo menos de acordo com o nosso Excelentíssimo presidente da República. Outro fato que me chama a atenção, um homem que só tem a quarta série representar essa república pro mundo. Um cara que não sabe resolver uma equação de segundo grau quer me falar o que é progresso, falar de emprego, de população, de impostos... "Impostos". Acho que essa palavra é auto-explicativa, é imposto a toda a sorte de desgraçados brasileiros pagar uma baba pra um filha da puta subir num palanque e falar que estamos em progresso. Estamos progredindo pro fundo do poço, só se for. Não me admiraria se lêssemos certo molusco em garrafais no rodapé de um livro. "Qual é? Não seja preconceituosa com o cara. Duvido que você faria melhor que ele."
Pois é, eu não faria melhor que ele. Mas fiz o meu melhor e não votei nele. Não votei nele porque eu não sou flamenguista, não sou católica, não sou funkeira, não sou sambista em época carnavalesca, não leio Paulo Coelho, não assisto BBB, odeio best seller e confraternizações sociais. Porque acho que o carnaval não é uma comemoração, porque o Natal não é ação de graças, porque na Páscoa as pessoas se importam só com chocolate, porque a semana santa é uma putaria e todos acham que só por não comerem carne, sem pecados.
Porque tudo é moda. Porque as pessoas inventam moda e ser desequilibrado é charme hoje em dia. Escrever em tiopês é coisa de "cool", de gente "in" ("in" que?), e dos super legais.

Ah, o carnaval! Pessoas bêbadas caindo em cima de todos, comemorando alguma coisa e tendo todas as atitudes mais ilícitas sendo escusadas. Porque é carnaval, não há pecado no carnaval.

Alguém "miacode"!


Mas é carnaval, o Lula é presidente, toda festa toca funk, todo lugar passa Big Brother, em cada esquina as pessoas se comem. "A ignorância é o maior peso que a Terra suporta" e o Brasil tem dado tudo de si nessa competição, creio estarmos bem na frente.



Ouvindo: Angela Rorô - Quero Mais.

"Para que eu não enlouqueça
Me rouba a razão
Para que eu não adoeça
Me mata de paixão
O amor é ópio coração
Quero, insana, mais uma ilusão."


, quero mais uma ilusão, quero mais eu, você, nós., menos televisão, menos latim, mais teoria, menos vingança, menos distância, menos ausência e mais presença, quero você aqui, você em outro lugar, comigo, menos frieza, menos volume mais poesia mais música, mais jazz, mais orquestras, ...


Agora eu vou beber, porque é carnaval! E eu sei que todo carnaval tem seu fim - amém!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

hoje, segunda-feira.

Porque, geralmente, as pessoas acordam de mal com o mundo nas segundas.
Acordei falastrona.
Poderia falar, por exemplo, que hoje é segunda e faz um dia lindo aqui; falar também que tenho toda semana de provas e não estudei, e não me interesso e nem sei o que cairá - reprovarei por falta ou incompetência? Posso escolher -; falarei que hoje é 16 e já passamos a metade do mês. Digo que ando evitando contatos sociais, mas isso não é novidade pra mim e nem pra ninguém. Ou que estou vendo uma beleza excepcional em tudo, em mim e em você, que acho - ainda! - que tudo se ajeita e o mundo gira, e gira and so on...
Falando em girar, posso dizer que o círculo é a imagem do perfeito, do ideal e do infinito, a vida é cíclica. Tudo gira, mas eu estou sóbria.
Posso dizer que sinto saudades. Mas isso é bobagem, uma daquelas que eu faço questão de cometer - bem como "errando e sabendo que vai dar errado" -, e cometo. Estou, de fato, com saudades. E já.
Diria que... Diria. Direi.

Fica tudo entre mim e você e todos. Todos...

A semana não será divertida e isso não é pessimismo.


"Bona fortuna!" Porque eu abandonei o latim, mas ele me perseguirá.


"Looking for. And I found... So what?"


(Ouvindo: Jon Secada - Just Another Day) - Porque sou antiga, saudosista, nostálgica e sinto saudades. A música diz isso tudo, diferente de mim.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

e mais nada.

E acendo um cigarro - preciso de inspiração.
Inspiração para...? Sabe Deus! Ou nem Deus sabe - o que é bem possível, improvável, porém possível.


Impagável!
Minha vida é, de fato, impagável.

Cansei de rasuras, rabiscos e corretivos. De passados batendo nas portas, ventos e desequilíbrios entrando pelas janelas, frestas e portas fechadas. Certo, pelo menos fazem companhia.

- Malditos ciclos conspiratórios, passados reincidentes, verdades eloquentes e gritos. E processos naturais, realidades divergentes, quadros pós-modernos, pagode contemporâneo, livros imorais, pessoas limitadas e que não valem o tempo, desgastantes, insatisfeitas, insuficientes, duras e não maleáveis. Mundo sem chão onde tudo é possível e tem preço, e fácil demais. E tipos de tudo, coisas nomeáveis (cadeiras são cadeiras e ponto. Pro diabo as cadeiras e os pontos!) e indiscutíveis. Tudo tão igual, tão mesmo... Fazer coisas pra mudar tudo e não poder - porque tudo é amplo e é sempre igual -, e não dever, já que todos se satisfazem com o que é, do modo que é e com quem é.
Só sei que não vou chegar a certa idade e pensar que tudo "foi apenas um sonho", ou delírio. Porque eu não tenho limites, tenho metade e quero o dobro e não me satisfaço com pouco. Curioso isso. As pessoas devem se acostumar, se acomodar, mas eu não. Que seja nada, mas não a metade. E eu quero tudo até as últimas consequências! Nada por pouco, que seja tudo por nada. Já não existem mais guilhotinas, que mal há em se arriscar um pouco?
Teimosia ou pretensão, mas talvez as coisas tenham jeito. E se não tiverem... Eu também não tenho. E insisto. Insisto. Assim fica elas por elas.
Ou eu por tudo...



"You and your words;
You and your world.
You and your life - in my walls, all over the house.
And I'm here, just waiting..."


Porque não há o que ser dito e nem escondido. Embora eu me esconda sempre, mais de mim que de tudo. E de tudo em mim, e de mim num todo.

E mais nada.
Ou tudo, vá saber.


E eu ainda tenho fichas para apostar. Algumas. Todas.



[Ouvindo: Cássia Eller - Luz dos Olhos. E eu sei o porquê.]


E lá vem o carnaval, ah uma bomba nesse sambódromo, nessa putice e toda falta de vergonha. Pelo menos eu bebo, poderia ser bem pior. E vou torcer pra Viradouro. Ê!