sábado, 14 de março de 2009

Filosofia de botequim.

Então, umas cervejas, uma cachaça e somos todos ótimos críticos-filósofos-historiadores-roteiristas e bebuns com consciência social.

A análise do super-homem foi feita no bar. A cada dia me certifico mais.

Ótimo!

Filosofias de boteco não salvam o mundo, não mudam nada nessa vida e não transformam pessoas - pergunto-me o que transformaria um ser em humano.
Desde o "ser", como na oração: "Eu sou.". E é uma coisa simples, rasgada, indolor. O que mata é o predicativo do sujeito - que, diabos, eu sou?! -, mas só em uma certa análise sintática (antes fosse sintética). E aí entram as complicações, cada um examina um mero "eu sou" de um modo; cada qual vê no estado inicial do ser o princípio - ou fim - de algo. Várias gramáticas que só servem para dar nós em estudantes meio subversivos. E a guerra de uma afirmação pessoal...
Eu sou contra o mundo. Eu sou o mundo.

Chegamos a uma conclusão que tudo é.

(Acendo um cigarro, bebo um gole de café. Porque "ser" é doloroso...)

"Eu não sou." - até as negações são afirmativas. Descobrir que o "ana" vem do grego, significando negação, me bateu de revés - soco no estômago!
Não sou! - agora me lembro bem que nunca fui. Nunca fui Pessoa: "Não sou nada. Nunca serei nada, não posso querer ser nada.", mesmo assim... Mesmo assim, em estado biológico, afirmo que existo e sem aspirinas, como bem fazia a Macabéa. Eu existo, sem remédios.

Já que rompi a necessidade de ser um algo nomeável, encontrado em prateleiras, agora sou a mais pura negação. Pra algo existir, a gente se baseia no inexistente, no vácuo - Como na física, que estudamos toda a sorte de cálculos em cima de uma realidade abstrata, vazia, oca por si. E eu não sei pra que isso, não iremos ao vácuo comprovar cada fórmula.

E como eu disse no início do blog, tudo começa vindo de um fim. A negação e a antítese surgem de uma tese. E eu já disse tudo que sou ao longo desse papelico - que, pra quem não sabe, significa "escritos sem importância", senhor Aurelinho me disse -, não direi o que não sou, não negarei toda e qualquer existência.


As coisas existem, isso é fato e não posso lutar contra tudo. Mas discordo, simples e fatalmente assim.

Eu sou uma negação. Mas sou, porque é imprescindível ser; é necessário. E as coisas são com a força de todos os universos. E eu sou. E sou de - porque adoro a sensação de pertencer. Como boa capricorniana sistemática, brigona e fria, preciso de um freio. E admiro...
Bem, segredo contado. Eu adoro um pronome possessivo!




- Ouvindo: Elis Regina - Corsário.


"Meu coração tropical
Está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E a voz vibra e a mão escreve: Mar
Bendita a lâmina grave
Que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais
Roseirais! Nova Granada de Espanha!
Por você, eu, teu corsário preso,
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar,
Me arrastar até o mar.
Procurar o mar."

Um comentário:

  1. "Eu sou uma negação. Mas sou, porque é imprescindível ser; é necessário. E as coisas são com a força de todos os universos. E eu sou. E sou de - porque adoro a sensação de pertencer. Como boa capricorniana sistemática, brigona e fria, preciso de um freio. E admiro...
    Bem, segredo contado. Eu adoro um pronome possessivo!"


    Carambolas hein? Me permite usar isso no meu profile? É digno de "moi".

    Enfim, tu escreve demais - tu sabe disso - mas adoro repetir. Sei lá por que, mas enfim.

    Au revoir,

    Tua,
    Tira.

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