segunda-feira, 9 de março de 2009

Eu e minhas pantufas.

Eu e minhas pantufas amarelas nos arrastando pela casa.
Porque, em plenas três e tanta de uma madrugada, só restamos nós de pé.


"Estico o tapete vermelho: pode entrar!
Não, não tire os sapatos. Sem etiqueta entre nós.
Pode pisar as plantas, o tapete e os meus pés - nem me incomodo mais.
Sem tanta cordialidade; educação pras cucuia!
Sem tanto tato - não precisamos disso.
Eu e minhas pantufas amarelas somos pouco democráticas,
e convenções sociais não nos convencem.
Somos andarilhas e vagantes - eu, fumante.
Somos um mar revolto.
E toda a dimensão do céu.
Cabemos em molduras, cinzeiros, garrafas e vidros tarja-preta.
Somos infinitas.
E o amarelo se torna azul.
Inatingível e azul.
Ou talvez ainda continue marrom;
meio acinzentado, velho, nostálgico, corroído pelo tempo.
Eu em minhas pantufas amarelas
já fomos amigáveis, já fomos desvairadas.
E sobra a ação do tempo, do ar.
Combustão.
E sobramos eu e minha pantufas, não mais amarelas,
e o silêncio de uma cidade adormecida."



- Ouvindo: Britney Spears - Unusual You. Porque ainda me sobra companhia para embalar com a biscate pelo msn. Haha. A gente não vale nada! Nem cachaça barata.
Ai, ai...

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