quarta-feira, 4 de junho de 2008

É isso aí...

Semana fria, fria demais. resolvi jogar carteado com o destino. minucioso e cheio de cartas na manga.
ganhei a primeira, meu
ceticismo histórico e inexplicável ainda era maior que o medo.
depois de uma boa partida, ele me ganha a segunda.
mais uma vez e desempatamos.
eu sabia que ia perder, tinha certeza. como perdi o sono nessa madrugada, a fala, a fome, a densidade. perderia o raciocínio também - ou apenas o seguiria, ignorando o resto.

eu insisti, fiz miséria, medi tempo, altura, velocidade e ignorei a queda.
e ele alternava entre bárbaro, cínico, prepotente e assustado. era misterioso como convinha, sorria e mudava todas as minhas perguntas. e estava certo, sem perguntas.

eu perdi. de raiva, cansaço, incapacidade, o diabo! perdi a cabeça - não sei a tive.
ele sorriu de tristeza, não é bom ganhar quem escolhe não competir e não gritar. tudo perde o prazer.

e é isso mesmo, sem gritos, meia boca e alusões a ilusões, sem neologismo ou
subjetividade. agora vamos aos fatos, ao provável. sem inatingíveis e rodeios.

e essa mania de fazer planos, tomar atitudes, fazer força pra estar, de algum modo, na vida de alguém. essa minha mania de florear e procurar significados no que não tem, no que é explícito; essa mania de "se", "talvez", "todavia", quem saberia? sem porquanto, por enquanto, por encanto... sem. sem caras e sentimentos a dar a tapas, medindo etapas, ouvindo tapes. sem querer o que não é
cabível; sem mais cigarros engasgados; sentimentos embasbacados; sentidos aguçados.
e esse cheiro de café e cigarros, cinzas e pó e só. e tanta dor de cabeça, olheiras, olhos, garganta, rouquidão, rispidez. sem espaços para quem não os quer, não ocupa e nem os ocuparia - não culpo. sem culpa.

é, tenho quem me leve para casa. pessoas passam a vida desejando isso. eu tenho e trocaria - no pretérito bem terminado, imperfeito, mas fechado. trocaria sim, mas é o que tenho. é o que posso. e é por onde seguirei. ainda prefiro tudo de alma. coisas jogadas pela janela,
objetos voadores, crises siderais. é, cansei de ficar na estante e de estepe. como num circo, aonde pagam, olham e riem e vão embora - sempre. e eu ainda fazia exposições de graça...
já fiquei por tantas noites, tantos dias, tanta loucura e neblina... levante, lave o rosto e sorria. não se pode querer o impossível, não se pode indagar Deus, acaso ou destino.

e esse frio, que vem de todos os lados, que não há coberta que esquente. e só um corpo presente... outro ausente, de presente; sem presente e só passado. pois a vida é cíclica e os fatos não se negam, não se pode fugir.

ok, presente, vamos nos entender. com cigarros, álcool e café, porque preciso me esquentar.
se eu pudesse, dava com a cabeça na parede até esquecer tudo... ou só um pouco, só por um segundo.
(há
insônias provocadas, doutores não entenderiam. e eu sofro do mal de pensar)

sem compromissos, por hora não dá. comigo não dá... mas sempre existe a tangente, existe a palavra que inventarei pra responder os pedidos, os loucos, os românticos. mas eu fico com o destino - mesmo a contragosto -, é só o que existe.
depois de tanto tempo se dando e abrindo de graça, o brinquedo escangalhado quer um lar.
e vamos à ele, sem corridas em beira de praia - não preciso me
autoflagelar mais -, mas nos meus passos que o lar saberá que cheguei. como no diálogo:
- você é a filha rebelde,
Anna. vem, fica, vai e faz essa mãe aqui sentir falta.
- mas eu sempre volto...
- dessa vez fica?

mesmo que a resposta venha depois de três dias, dessa vez fico... por egoísmo, carência, altruísmo, medo, os
cambau. mas fico. e dessa vez completamente.


e mais um cigarro, mais uma vez. só para acentuar a dor na garganta...


(Ouvindo: Stephen Speaks - Out of My League. e eu estou desmontada mais uma vez.)

post grande. e o blog vai ficar à deriva por tempo indeterminado (já que eu também estou).
passem bem! passemos todos.

Um comentário:

  1. Eu gostei desse post, como sempre...me identifico (essa palavra já tá ficando manjadinha). Mas foda-se, é a única que encontro.

    Ouve Adriana Calcanhoto comigo hj? Minha noite promete, mais dores, temores e recordações, ando a fim de me escangalhar de chorar. Tá demorando e isso tá me preocupando, pois qdo demora vem com uma força gravitacional.

    Fazer o que, essa é a natureza das coisas, essa é a minha natureza que vem e vai. Cíclica, anônima e feroz.

    Sabe deus a que forças eu choro qdo me sinto assim.

    Bisous,
    Tirana

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